sábado, 11 de abril de 2015

PORTUGAL, O PAÍS DOS SALÁRIOS BAIXOS NO SECTOR PRODUTIVO

 
 
 
 
 
 
Portugal (os seus governantes) foca-se, cada vez mais num modelo de desenvolvimento baseado em salários baixos, no sector produtivo.
Assiste-se, a uma espécie de sinolização do país, como que procurando imitar os modelos económicos orientais, particularmente da China.
 
Está a ser a estratégia seguida, como forma de tornar a economia competitiva e, o que não deixa de ser muito estranho, dá-se o facto como consumado, não se apontando outras alternativas que passem por alterar/ajustar outras variáveis críticas que, na verdade, as há, sem necessariamente comprometer os salários, já dos mais baixos,  não apenas da União Europeia, mas  de toda a Europa.
 
Mas, a verdade é que, por rações ideológicas ou outras, que ninguém ousa dizer, a contrapartida para o esmagamento dos salários no sector privado (excepto dos gestores que, em geral; fogem à regra)  tem sido, desde sempre, a manutenção de um Estado Central, Público Empresarial mal gerido, Autárquico, Empresarial Autárquico e Orgânico (Fundações, Institutos, Observatórios, Associações, Direcções e muitos outros) que absorvem, no seu conjunto, uma enorme parcela, da riqueza nacional produzida.
 
Digamos que o país trabalha, empresas e cidadãos, a maior parte do ano, para que este gigante subsista, não valorizando, como devia, as suas funções essenciais e esbanjando recursos em áreas colaterais, obrigando o sector produtivo e os cidadãos a suportar um esforço fiscal e contributivo, demasiado elevados para a sua capacidade e, grande parte das vezes, sem contrapartidas significativas, por parte do Estado, em benefício do conjunto da sociedade.
 
A verdadeira reforma do Estado nunca se fez, nem se fará.
Condição necessária para que, por via do alívio fiscal de empresas e cidadãos, tornar a economia mais competitiva, sem o esmagamento dos salários e a consequente queda do nível de vida.
A caduca Constituição de 1976, continuando em vigor, a isso obriga, impondo o modelo de sempre, tornando o sector público um sector privilegiado da sociedade, em detrimento do sector privado e dos cidadãos que nele trabalham.
 
Os partidos, as únicas organizações do país, que podiam alterar a Constituição e com essa alteração, alterar o modelo económico e social até aqui seguido, não estão interessados em fazê-lo, por duas razões essenciais:
 
- Primeira: tornaram-se,  eles próprios, organizações estatais, financiadas pelo Estado
- Segunda: Só têm a ganhar com a manutenção de um Estado Gigante, onde se paga bem e enorme campo fértil para os partidos lá colocarem militantes, simpatizantes e muitas outras pessoas, num escandaloso parasitismo, sem limites.
 
O sistema está, assim, bloqueado, impedindo a criação de riqueza, base indispensável para o desenvolvimento e com este, a aumento do nível de vida e do bem-estar social dos cidadãos.
 
Este cenário de bloqueio, está a originar grandes desequilíbrios na sociedade: - demográficos (emigração jovem e queda substancial da natalidade), sociais (desemprego de longa duração, precaridade no emprego), risco de rotura dos sistemas de segurança social, que obriga a contribuições estatais cada vez maiores, por via da diminuição das contribuições dos activos, grandes desigualdades na distribuição do rendimento.
 
No limite, colapso de todo o sistema, insolvência interna e externa.
E, perdendo-se a viabilidade do país, a longo ou muito longo prazos, uma solução terá de ser imposta de fora se, até lá não formos obrigados a sair da zona euro e até da União Europeia,  cujos custos são, de momento, imprevisíveis.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

JEAN-CLAUDE JUNCKER: QUE DIGNIDADE?




Foi preciso surgir um Syriza, partido da extrema esquerda, num país da União Europeia, a Grécia, particularmente flagelado pelas restrições e medidas de austeridade, impostas ao seu povo, pelos credores internacionais, para que a União Europeia, na pessoa do Presidente da Comissão, reconhecesse que os programas de austeridade NÃO RESPEITARAM A DIGNIDADE DOS POVOS atingidos.
É verdade, não respeitaram.
Não respeitaram apenas porque, a austeridade podia ter sido mais suave, com outra estratégia, com outra concepção  e com prazos mais alargados.
Mas, TERIA SEMPRE DE HAVER AUSTERIDADE, MEDIDAS RESTRICTIVAS, CORRECÇÃO DE DESEQUILÍBRIOS ESTRUTURAIS, ORÇAMENTAIS, CORTES NAS DESPESAS PÚBLICAS, AUMENTO DE IMPOSTOS.
Porque os desequilíbrios foram longe demais e levaram os países assistidos à beira da falência e da bancarrota.
E, todo o cortejo de consequências: recessão económica profunda, desemprego em massa, estagnação do emprego, quebra generalizada de rendimentos, emigração forçada.

Perante um cenário de pré-bancarrota, de insolvência do país, sem fontes de financiamento internacionais nos mercados financeiros (a única de que se dispunha), com risco do pão faltar à mesa dos portugueses, a curtíssimo prazo, o que poderíamos esperar?

Que, para sobrevivermos, com um excepcional empréstimo internacional, a que o governo de José Sócrates fora obrigado a contrair, TUDO CONTINUASSE NA MESMA?
E que os credores desse empréstimo (FMI, BCE e Fundo Europeu de Estabilização Financeira), deixassem que TUDO CONTINUASSE NA MESMA?
Que continuasse a cultura de irresponsabilidade, de despesismo improdutivo, de contratos blindados em PPP´s e similares, com RENDAS ENERGÉTICAS permanentes, a onerar o erário público e os contribuintes, com dinheiro emprestado, que tem de ser pago em juros e em amortizações periódicas, com o suor e o baixo nível de vida dos portugueses?
Obviamente que não!
Os credores impuseram regras e condições, porque o dinheiro não se cava e alguém teve de entrar com ele, os contribuintes europeus.
Foram duras demais? Foram.
Não houve poder negocial nem de Sócrates, nem de Coelho, para que fossem mais suaves? Não.
NÃO PORQUE, EM SITUAÇÃO DE FALÊNCIA, COMO NOS ENCONTRÁVAMOS EM 2011, NO FINAL DO GOVERNO DE JOSÉ SÓCRATES, O PODER NEGOCIAL ERA ZERO.

É uma situação semelhante à de um país, que perdeu uma guerra e se viu na situação de vencido.
Porventura os vencidos, têm algum poder negocial para imporem quaisquer condições aos vencedores? A NÃO SER PEDIR CLEMÊNCIA E QUE LHES POUPEM A VIDA?

E foi isso que Sócrates fez, porque não tinha alternativa.
O PEC4 nunca foi alternativa, como hoje sobejamente se sabe, o resgate era inevitável.
Ou aceitava as condições dos credores, ou era a iminência do desastre a curto prazo.

Pergunta-se, então, que significado podemos atribuir às recentes declarações de Jean-Claude Juncker, actual Presidente da Comissão Europeia, quando afirma que «OS PROGRAMAS DE AUSTERIDADE NÃO RESPEITARAM A DIGNIDADE DOS POVOS»?

Mas, indo ao fundo da questão, QUEM É QUE, OU O QUÊ, NÃO RESPEITOU A DIGNIDADE DOS POVOS?
OS PROGRAMAS DE AUSTERIDADE, OU OS GOVERNANTES QUE ATIRARAM OS POVOS PARA OS PROGRAMAS DE AUSTERIDADE? DEVIDO À SUA INCÚRIA, DESLEIXO, OPORTUNISMO E PÉSSIMA GOVERNAÇÃO?
Esta é a verdadeira questão a que Jean-Claude Juncker não dá resposta. E não dá resposta, porque só avalia os efeitos e não as causas, omitindo o essencial do problema, que foi criado aos povos europeus, que tiveram a desdita de serem governados por oportunistas e irresponsáveis.

Mas a resposta encontra-se aqui, NAS CAUSAS, PORQUE, COM ESTAS CAUSAS, AS CONSEQUÊNCIAS ERAM INEVITÁVEIS…

COM GOVERNANTES RESPONSÁVEIS, QUE GOVERNASSEM PARA O SEU POVO E PARA O SEU PAÍS, NUNCA TERIAM HAVIDO EM PORTUGAL, PROGRAMAS DE AUSTERIDADE.

Por muito que tentemos, por questões ideológicas ou de simpatia pessoal pelos políticos, branquear o seu irresponsável passado, atirando as culpas para a crise internacional, ou para os que herdaram a pesada herança de Sócrates e Guterres, desculpas que dão para tudo, a verdade é que, O MAL DE PORTUGAL, FOI SEMPRE PORTUGUÊS

sábado, 3 de janeiro de 2015

MENSAGEM PRESIDENCIAL: HINO À CONTINUIDADE E À ESTAGNAÇÃO DO PAÍS

 
 
 
O Presidente da República, como sempre é habitual, deixou a sua mensagem ao país, no primeiro dia de 2015.
Foi uma das mensagens mais vazias de conteúdo, mais afastadas da realidade, mas também mais, a profecia da continuidade, da aversão à mudança e à renovação do sistema político e do país.
 
O Presidente da República sabe, melhor do que ninguém, porque é e foi um dos principais protagonistas do regime político português, vindo da área social-democrata, que o sistema político português, os partidos políticos tradicionais, estão viciados e, como tal, pouco ou nenhum valor poderão acrescentar ao país.
Vícios e vicissitudes de quarenta anos de regime.
 
Cavaco Silva defende, que a democracia portuguesa se tem de circunscrever aos actuais partidos representados no Parlamento, partidos já gastos, que nada de novo podem já prometer ao povo português e quando se sabe que, principalmente os da área da governação e de forma directa, foram os principais responsáveis pela situação ruinosa em que o país se encontra e como tal, não será, nunca será, pela mão destes partidos, que o país sairá do lodaçal em que se encontra.
 
Cavaco Silva sabe bem em que situação o país se encontra, sabe bem em que situação se encontram milhões de concidadãos, reprimidos e explorados por uma oligarquia de poderosos, que se apropriou do país e como tal, remetidos a condições primárias de vida, impróprias de um país membro de pleno direito, de uma União Europeia.
E sabe que essa situação lhes foi criada pela mão dos partidos do arco da governação, que tanto defende.
 
O Presidente da República teme e condena os partidos e movimentos cívicos emergentes, passando a mensagem, já muito gasta, do seu cariz populista e como tal perigoso, destas forças emergentes da sociedade, apostadas e empenhadas na renovação do sistema político e do país.
 
Cavaco Silva ao defender a partidocracia, aposta na continuidade e na estagnação do país.
Que legitimidade têm os partidos do sistema e os seus agentes para, sendo os campeões do populismo em quarenta anos de democracia, que mentiram e enganaram sistematicamente o povo português, populismo do pior, de chamar populistas àqueles que se erguem contra o verdadeiro populismo que deu cabo deste país?
Uma mensagem pobre, muito inconveniente e perigosa ´para um país que se quer renovar.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O ENIGMA E A DIFICULDADE - POR A ECONOMIA A FUNCIONAR

 
De todos o quadrantes da sociedade, não há uma voz que discorde de que é necessário por a economia a funcionar.
Não há político, da extrema esquerda à extrema direita, mesmo que, comprovadamente incompetente, que não tenha, na ponta da língua, a frase miraculosa que nos pode salvar, ou que acreditamos que nos pode salvar, da pobreza de milhões de cidadãos, do subdesenvolvimento e da extrema desigualdade terceiro-mundista, em que vivemos.
 
É PRECISO POR A ECONOMIA A FUNCIONAR…
 
Mas, por estranho que pareça, poucos, muitos poucos, apontam o verdadeiro caminho.
Meramente, por questões ideológicas, por uma captura, quase irreversível, de uma cultura chamada irracionalmente de «esquerda».
 
Como sempre acontece, ou quase sempre, em Portugal, o discurso sobre esta temática, centra-se nos efeitos e não nas causas.
E, centrando-se nos efeitos, nos sintomas, aponta-se a solução de alguns médicos, ou seja, se combatermos os efeitos da doença, os sintomas desaparecem e ficamos com a ilusão de que a doença desapareceu.
 
Diz-se, ao nível do governo, do discurso político e do discurso analítico, que a questão está na FALTA DE INVESTIMENTO. E, se os capitais não abundam a nível interno, dada a situação de depauperamento do país, temos de recorrer aos capitais estrangeiros, ou seja ao INVESTIMENTO DIRECTO ESTRANGEIRO.
 
Outras análises, mais do discurso da chamada esquerda, aponta a deriva neoliberal como responsável pela situação do país e pela falta de investimento, retomando as teses socialistas e colectivistas como solução.
 
É verdade que, sem investimento, não há crescimento, não há emprego, não há desenvolvimento.
 
Interrogamo-nos, então, porque não há investimento, interno ou externo?
Refiro-me aqui ao investimento reprodutivo, com efeito multiplicador sobre a economia, aquele que pode induzir, efectivamente, o emprego,  o crescimento e a criação de riqueza.
 
E não são os Vistos Gold, antro de manipulação e corrupção ou a compra de grandes empresas públicas ou privadas, que podem representar investimento reprodutivo. Não, de forma nenhuma.
Trata-se de investimentos meramente especulativos na aquisição de activos a bom preço, mas que esvaziam o país de rendimento e quase sempre se traduzem em grandes perdas de postos de trabalho.
 
Não é este, o investimento que interessa ao país, mas antes devê-lo-íamos repudiar, porque lesivo para todos nós.
 
O problema da Economia é simples de equacionar  se, em vez de nos centrarmos nos efeitos, passarmos a centrar a análise, nas causas.
 
E AS CONDIÇÕES DE PARTIDA são, portanto, simples de formular:
 
- EM RELAÇÃO AO SECTOR PRIVADO, SE HOUVER CONDIÇÕES ATRACTIVAS PARA CRIAÇÃO DE EMPRESAS E PARA O INVESTIMENTO, POR PARTE DAS JÁ EXISTENTES, A ECONOMIA CRESCERÁ, O EMPREGO AUMENTARÁ E O PAÍS DESEVOLVER-SE-Á.
- EM RELAÇÃO AO SECTOR PÚBLICO EMPRESRIAL E AO INVESTIMENTO PÚBLICO ESTATAL, AS MESMAS PREMISSAS, TUDO DEPENDE DAS CONDIÇÕES EXISTENTES E O SUCESSO DAS PRIMEIRAS, POTENCIARÁ AS SEGUNDAS.
 
Tão simples quanto isto.
 
Em termos gerais e sem a preocupação de detalhes, que seriam imensos, PORTUGAL NÃO REUNE, NEM AS PRIMEIRAS, NEM AS SEGUNDAS CONDIÇÕES.
AS CAUSAS ESTÃO AQUI.
 
E o país não reúne essas condições, e também em termos gerais, porque durante os quarenta anos, que já dura a III República, NÃO REALIZOU AS REFORMAS DE FUNDO, AS REFORMAS ESTRUTURAIS  DO PAÍS, base indispensável, para que esse desiderato fosse alcançado.
 
O que se verificou, durante décadas, foi a insistência num MODELO DE DESENVOLVIMENTO, enquadrado, basicamente, pela Constituição de 1976, baseado num centralismo burocrático e num expansionismo exagerado do Estado que, lenta e progressivamente, mas de forma eficaz, acabou por estrangular o SISTEMA ECONÓMICO PRIVADO (principalmente ao nível das Pequenas e Médias Empresas) e com ele a própria falência do Estado que, agora, só consegue subsistir recorrendo ao Endividamento.
 
A insistência neste Modelo, sem dúvida, BENEFICIOU BASTANTE todos aqueles que, de forma directa ou indirecta viveram e trabalharam enquadrados pelo Estado, nas suas diversas vertentes, durante décadas e, por isso, obviamente, continuam a lutar por ele,
 
Mas estes funcionários, trabalhadores, quadros e dirigentes, são apenas uma parte da sociedade portuguesa.
A outra, a esmagadora maioria, a que trabalha na economia real e que, por isso, sempre esteve sujeita às flutuações e incertezas duma Economia Privada, obviamente reclama e, muita hoje, pagou o «ajustamento» resultante da falência do Modelo, com o desemprego, com o infortúnio, com a pena da emigração ou a conformar-se a viver na casa dos país, sem qualquer rendimento.
 
E, fora do mercado de trabalho, toda a massa de reformados e aposentados que vive de pensões do Estado, cada vez maior, a ser seriamente afectada, pelas mesmas razões, pois, colateralmente ao Modelo Seguido, não se cuidou das variáveis demográficas e da REFORMA DE FUNDO DOS SISTEMAS DE PENSÕES.
 
Apesar de todo este quadro dramático, que, irá certamente, por em causa todo o nosso futuro colectivo, O SISTEMA POLÍTICO VIGENTE continua a insistir no mesmo modelo, mantendo praticamente intacta toda a complexidade e burocracia legal e o gigantismo do Estado.
 
Clama por Investimento, mas NADA FAZ PARA CRIAR AS CONDIÇÕES DE PARTIDA.
E nada faz porque, para criar essas condições, implica alterar a Constituição e como ela o Modelo de Desenvolvimento.
Mexer na estrutura e na despesa do Estado, são inconstitucionais, logo, todas as REFORMAS DE FUNDO, são inconstitucionais.
 
Interrogamo-nos também, como é possível, num quadro institucional extremamente limitativo das actividades económicas, O SISTEMA ECONÓMICO DAR AINDA SINAIS DE SE MANTER A FUNCIONAR.
A explicação é simples:
 
- Como todos os sistemas, o sistema económico AUTO REGULA-SE para sobreviver, mas AUTO REGULA-SE PELA NEGATIVA, DA PIOR FORMA POSSÍVEL:
 
Baixos salários e mão de obra precária, à base do recibo verde, ou seja, sacrificando e penalizando fortemente o factor trabalho;
Contratos de trabalho à base de salários nominais aparentes, como defesa contra a alta Taxa Social Única, penalizando o factor trabalho, nas futuras reformas;
Evasão e fraude fiscal, em muitas actividades, por meio de ardilosos artifícios contabilísticos e declarativos, ou actividades simplesmente não registadas, clandestinas;
A socialmente injusta ECONOMIA PARALELA, surge aqui, como consequência directa da imposição deste modelo institucional;
E, finalmente, como consequência de tudo isto, UMA MINORIA SOCIAL CADA VEZ MAIS PRÓPERA E RICA, contrastando com a esmagadora maioria dos portugueses, cada vez mais pobres, tornando o nosso país, um dos da União Europeia, onde as desigualdades são maiores;
Ou seja, uma verdadeira contradição, do Modelo Socialista Democrático que se afirmava seguir.
 
E, em reforço desta tese, O SISTEMA POLÍTICO PORTUGUÊS, maioritariamente dominado por uma cultura de «esquerda» (que não se sabe bem o que é), NÃO DEIXA, DE FORMA NENHUMA, ALTERAR A CONSTITUIÇÃO, nem mesmo, perante a evidência da falência e derrocada do seu Modelo e das CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS E INJUSTIÇAS que está a originar:
 
Em Portugal, por mais que se fale em POR A ECONOMIA A FUNCIONAR, por mais que se clame por Investimento, isso não acontecerá de forma significativa, se o Modelo de Desenvolvimento não for alterado e se não for feita a REFORMA PROFUNDA DO ESTADO, obedecendo à fórmula:
 
-  MENOS ESTADO, MAIS QUALIDADE, MAIS ECONOMIA.
 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

PRIVATIZAÇÕES: GESTÃO PÚBLICA VERSUS PRIVADA

 
 
 
 
Sempre defendi o princípio da colectivização de bens, serviços e recursos, de utilidade pública geral e de interesse estratégico para um país.

Os chamados recursos básicos da economia.
 
Como tal, não devem ser entregues a empresas ou instituições privadas.
 A razão é simples.
Por um lado, estes recursos, dada a sua natureza, se forem entregues a privados e assumindo muitas vezes a natureza de monopólios, são explorados segundo o arbítrio do grupo ou empresa privada, visando apenas a maximização do lucro e assim, prejudicar o interesse colectivo geral, para além de constituir factor de extrema assimetria na distribuição da riqueza colectiva.
 
Por outro lado, dada a sua natureza estratégica, a sua manipulação por privados, pode lesar gravemente os interesses gerais do país, perdendo, os poderes do Estado, o controlo sobre esses recursos.
Num mundo, actualmente globalizado, em que apenas os grandes grupos económicos e financeiros mundiais, jogam num tabuleiro de xadrez com as peças mais valiosas e como tal, devoram os meros peões neste jogo desigual, este último aspecto assume uma importância crucial.
 
Analisado nesta perspectiva, a empresa pública, que detém, sob controlo do Estado, esses bens, serviços e recursos, não é um mal em si mesmo, antes pelo contrário, pois visa, teoricamente, a sua exploração, de forma a maximizar a utilidade dos mesmos a toda a colectividade, com um mínimo consumo de recursos.
 
Porém, mau grado a existência de Instituições Reguladoras, para que esse objectivo social seja atingido, a verdade é que, face à sua tutela pelo Estado, as suas administrações, quase sempre nomeadas por critérios político-ideológicos e não por critérios de competência e qualificação, descambam numa gestão ruinosa, fruto do oportunismo, da manipulação e do abuso do poder, saldando-se, quase sempre,  por avultados prejuízos que, na prática, se traduzem em mais custos sociais para os contribuintes.
 
As indemnizações compensatórias, que o Estado, todos os anos, é chamado a transferir para estas empresas, visa exactamente cobrir os crónicos prejuízos da grande maioria delas.
 
E esta situação, repete-se sistematicamente, nesta III República, década após década, sem que nenhum governo, tenha tentado colmatar o problema, constituindo, estas empresas, em geral, um enorme e ruinoso encargo público, um enorme custo social para todo o país, que atinge muitas vezes, centenas de milhões, senão mesmo, de mais de um milhar de milhões de euros, anuais.
 
E, o que é grave, mesmo muito grave, é que, apesar de todos os prejuízos acumulados por estas empresas, compensados pelo Estado, quase sempre não se traduzem em benefícios visíveis para o público em geral, resultando, na prática, que os prejuízos anuais resultaram, na sua maior parte, de uma gestão danosa e do aproveitamento das administrações, quadros e trabalhadores.
 
É lícito perguntar, onde radica o mal da questão?
 
Incompetência e laxismo na gestão, abuso de poder, inoperância da regulação, estruturas muito pesadas, sobre emprego, salários e suplementos acima da média, onde toda a gente se aproveita, baixa produtividade, gestão e investimentos irracionais sem critérios de eficiência, atitudes abusivas dos quadros e em geral do pessoal, greves por tudo e por nada (os trabalhadores destas empresas, assumem um estatuto de privilegiados, a que poucos outros no país, se podem dar ao luxo), porque sabem que os prejuízos causadas são socializados por todo o país, etc. etc.
 
Perante estes factos, as privatizações de empresas públicas, em curso no país são, em boa parte, deles consequência. A outra, da falência e colossal endividamento do país, obrigando-nos a vender, para nosso infortúnio e desgraça, ao desbarato, todas as  joias da coroa, sacrificando, a interesses estrangeiros, a nossa soberania e independência.
 
Ou seja, em Portugal, subverteu-se, pelo abuso e pelo oportunismo, o Princípio Social e o Instituto da Empresa Pública.
 
Agora, clamamos a reposição do erro mas, parece já ser tarde demais.
As consequências, estamos a pagá-las dolorosamente.
Os oportunistas, ganharam, é certo, abusaram enquanto puderam e agora bem podem vir a ter o seu futuro ameaçado.
Mas, todo o país perdeu e empobreceu.
A capacidade do Estado, para dar cobertura, como sempre aconteceu, a estes abusos, não é ilimitada, como a gravíssima crise que atravessámos e continuamos a atravessar, dramaticamente demonstrou.
A TAP, que está na ordem do dia, é um bom exemplo.
Bem gostaria, bem gostaríamos todos, que a TAP, continuasse pública, porque é um recurso estratégico do país.
 
Mas, a TAP, é um bom exemplo de descalabro continuado, de má gestão, de investimentos mal planeados, de sobre emprego, de exagerados salários, a começar pelo seu Presidente e toda a espécie de suplementos e mordomias, que sobrecarregam enormemente os custos operacionais da empresa e diminuíram o cash-flow de investimentos, mal calculados e planeados.
 
É certo que, perante o descalabro e a eminência de inviabilidade económica, houve, um grande esforço de reestruturação, durante os últimos anos mas, os problemas crónicos continuam lá.
Paralelo, só a RTP, a Rádio Televisão Portuguesa, também, tal como a TAP, empresa pública, agora sob concessão.
 
Mas, como todas as empresas públicas, a TAP é extremamente vulnerável, às greves oportunistas, chantagistas e ideológicas, controladas de dentro e de fora, que não olham a meios para atingir os fins e não ponderam, minimamente, os enormes prejuízos para a Companhia e as consequências para todo o país.
 
 
É tempo de questionar o Instituto da Empresa Pública, tal como está concebido mas, com muita probabilidade, esse tempo já terá passado.
O país já entrou numa zona irreversível, já pouco ou nada resta, já pouco ou nada haverá a fazer, a menos que algo extraordinário aconteça.

sábado, 22 de novembro de 2014

PORREIRO, PÁ! QUANDO O DINHEIRO FALA, A VERDADE CALA-SE

 
 
 
 
Em Portugal, apesar de todas as desgraças que já nos aconteceram nestes quarenta anos da República de Abril, vive-se ainda o diálogo radicalizado entre esquerda e direita, como se tudo se resumisse a uma questão ideológica.
 
As análises, os comentários, os colunistas mediáticos e os articulistas dos blogs, baseiam ainda muito as suas opiniões e os seus pontos de vista, nesta dicotomia, esquerda-direita. Ou seja, nas suas convicções ideológicas.
 
Tudo se resume e baseia em análises deste tipo. A esquerda combatendo a direita e a direita combatendo a esquerda.
Mesmo quando não se trata de questões políticas, mesmo quando se trata de questões objectivas, que indiciam práticas criminais e que são do foro da Justiça.
 
Vem isto a propósito da detenção do ex-primeiro ministro José Sócrates, por fortes e graves indícios, de práticas de crimes públicos.
 
E, não bastando a ruina que este homem, em seis anos de governação, provocou ao país, facto que, só por si, justificava uma auditoria à sua governação e apuramento de responsabilidades, não apenas políticas, como é norma em Portugal, mas civis e criminais, há pessoas que, perante esta detenção, ainda acham que a atitude das Polícias e do Ministério Público, não devia ter sido esta.
 
Ou seja, desde que a desgovernação ruinosa ou os indícios de crime, venham da esquerda, tudo deve ser perdoado e esquecido, simplesmente porque se trata da esquerda, sistema e regime instaurados em Portugal, em 1974, com a  Revolução.
 
Mas, a verdade objectiva, os factos, as crises permanente em que o país tem estado mergulhado, nestes quarenta anos da III República, mostram à evidência, que não se trata, não se tratou,  de questões ideológicas, de questões esquerda-direita, como muita gente neste país costuma tudo reduzir.
 
Trata-se objectivamente de uma crise de regime, que arquitectou um comportamento e uma cultura dos seus agentes, quase sempre vindos da chamada esquerda, baseados no oportunismo, no carreirismo, na promiscuidade poder político-poder económico, na corrupção, na retórica enganadora e na demagogia, agitando as bandeiras ideológicas da democracia e do socialismo, mas que não passam de máscaras, atrás das quais, sempre têm escondido os seus verdadeiros intentos.
 
Uma cultura baseada nesta estratégia ideológica, mas visando apenas o poder pelo poder, o individualismo e ambição pessoais, com desprezo pela sociedade e sem qualquer sentido colectivo da governação.
 
Estes são, objectivamente, os factos.  
Toda a discussão baseada na retórica ideológica esquerda-direita, que tudo pretende explicar, mesmo o inexplicável, é pura perda de tempo e efémero contributo, para que os erros do passado não se repitam e as disfunções do regime sejam corrigidas.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A PROLIFERAÇÃO DE PEQUENOS PARTIDOS

 
 
Acredito que este fenómeno, a que estamos a assistir na nossa sociedade, é o reflexo do estado de ruina e de negação a que chegou o país, pela mão dos partidos do sistema político, representados na Assembleia da República.
Desde logo, os principais, Partido Socialista e Partido Social-Democrata, coligados ou não. O chamado Centrão, os que directamente, pela escabrosa e péssima governação, contribuíram para a ruina.
Mas também, indirectamente, os que, na sombra, na quase clandestinidade democrática, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, manobram os cordelinhos das suas corporações sindicais e do sistema de educação, para completarem a destruição e doutrinar as mentes, pensando no voto futuro e no poder.
Este fenómeno prova que, pessoas, grupos, associações e movimentos cívicos, se mobilizam e tentam de alguma forma, com os escassos meios de que dispõem, agir, sacrificar-se pela causa do país que, a olhos vistos, mais de afunda, comprometendo todo o nosso futuro colectivo, enquanto país e enquanto Nação.
Partidos, já são mais de vinte e candidatos a partidos provavelmente quase outros tantos.
Por muito boas que sejam as causas porque se movimentam e honra lhes feita por isso, porque não fazem parte da tal esmagadora maioria da sociedade, que não se quer incomodar, prefere a comodidade do sofá e acha que têm de ser os outros, a fazer aquilo que tem se ser feito, estes pequenos partidos, alguns com excelentes ideias, estão a cometer, pelo menos,  DOIS GRAVES ERROS.
Em primeiro lugar, muitos estão focados, quase exclusivamente, em sectores específicos da sociedade e não para projectos globais para todo o país. É errado, é perda de tempo e gasto inútil de energias.
Em segundo lugar, a excessiva proliferação de partidos, alguns próximos em projecto político e muito radicalizados na defesa da sua dama, enfraquece cada vez mais a oposição democrática ao sistema vigente, confunde o eleitorado e, dificulta o surgimento da tão desejada ALTERNATIVA POLÍTICA, séria, forte, credível e realista que, isolada ou coligada, possa chegar ao poder e, progressivamente, implementar as reformas absolutamente necessárias e urgentes e que já tardam demasiadamente, nas estruturas do país.
Estes pequenos partidos e movimentos, têm de perceber uma coisa muito simples. É que, por muito bom que seja um projecto político, por muito nobre que seja a nossa causa, por muito que valha o sacrifício pelas causas em que acreditamos, por muito que a nobreza da causa, imponha à nossa consciência, que não podemos abdicar dela de forma nenhuma, nunca podemos perder de vista o GRANDE OBJECTIVO NACIONAL que, no contexto actual  defrontamos, ESTÁ ACIMA DE TODAS AS CAUSAS, por mais nobres que sejam.
Quer isto dizer que, todos os projectos políticos, por um lado, não podem, não devem, ser desenquadrados do GRANDE OBJECTIVO, face ao contexto, e por outro, DEVEM POSSUIR A NECESÁRIA FLEXIBILIDADE PARA SE FAZEREM CEDÊNCIAS, PARA SE ABDICAR DE ALGO, EM PROL DE UMA UNIÃO DE FORÇAS, ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA PARA DEFRONTAR UM ADVERSÁRIO TÃO PODEROSO, TÃO ARDILOSO, TÃO ASTUTO E COM TANTAS ALIANÇAS, como aquele que, no contexto actual estamos a defrontar e, completamente indefesos
A proliferação e pulverização de partidos e movimentos, radicalizados nos seus redutos, pior ainda, competindo entre si, sem nenhuma flexibilidade de cedência nas chamadas questões essenciais, é um enorme erro que todos estão cometer, que só enfraquece cada vez mais o surgimento da ALTERNATIVA REFORMISTA e BENEFICIA CADA VEZ MAIS OS PARTIDOS DO SISTEMA POLÍTICO, COM REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR.
Sentindo isso, tomando um pulso fraco e uma completa desarticulação e desunião de forças opositoras, algumas lutando umas contra outras, do mesmo lado da barricada, cada vez mais os partidos do regime e que vegetam e vivem dele, ABUSARÃO DO PODER E A REPRESSÃO ABATER-SE-Á, CADA VEZ MAIS INSUPORTÁVEL, SOBRE TODOS NÓS.